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A importância da tomografia computadorizada no diagnóstico de tromboembolismo pulmonar

INTRODUÇÃO

O tromboembolismo é uma entidade clínica e patológica caracterizada pela instalação de um coágulo sanguíneo na circulação arterial pulmonar. A embolia pulmonar, na imensa maioria dos casos, é uma complicação da trombose venosa profunda (TVP) dos membros inferiores. As duas principais conseqüências de embolização da árvore arterial pulmonar são o aumento da pressão arterial pulmonar (que inflige um esforço do lado direito do coração) e a isquemia pulmonar, com áreas ventiladas com perfusão sanguínea inadequada. (TARANTINO, 1997).

A tríade de Virchow, caracterizada por estase sangüínea, lesão da camada íntima da parede dos vasos e alterações do sistema de coagulação, identifica os principais fatores predisponentes da trombose venosa.(MARQUES, 1998).

O diagnóstico do tromboembolismo pulmonar (TEP) e da condição prévia da qual é dependente (TVP), apóia-se fundamentalmente em dados clínicos e imagéticos. A premissa mais importante para que um maior número de casos de TEP não passe desapercebido é manter um alto grau de suspeição clinica nos indivíduos que tenham alguma condição de risco para a ocorrência de episódio embólico. (SILVA, et al., 2001).

Os principais métodos de imagem utilizados no diagnostico são representados por cintilografia ventilação -perfusão, angiografia pulmonar e tomografia computadorizada (TC).

Vários estudos demonstraram elevada sensibilidade e especificidade da TC espiral para o diagnóstico de TEP. Além de possibilitar a visualização direta do trombo, ela permite a identificação de alterações no parênquima pulmonar. Com isso, ela pode contribuir para o diagnóstico de TEP ou mostrar outras possibilidades diagnósticas. Deve-se salientar que embora a TC espiral tenha uma elevada sensibilidade para detectar trombos nas artérias pulmonares centrais, lobares e segmentares, ela tem valor limitado no diagnóstico de trombo subsegmentar. No entanto, recentes trabalhos indicam que a acurácia da TC espiral no diagnóstico de trombo subsegmentar tem

1 Biomédica, formada pela FMU – Faculdade Metropolitanas Unidas. Habilitada em Imagenologia. Técnica em enfermagem. Possui aprimoramento profissional em Tomografia Computadorizada. Atualmente colaboradora do Hospital e Maternidade Sino Brasileiro e Clínica Diffusion, no setor de Ressonância Magnética.

Aumentado com o uso de cortes mais finos, tais como colimação de 1 ou 2 mm e uso de equipamentos de TC com multidetectores. (SILVA, et al., 2004).

Para a tomografia helicoidal, as taxas de sensibilidade estão entre 57 a 100% , com especificidade de 78 a 100%. Na detecção de êmbolos localizados em artérias subsegmentares, a sensibilidade cai para 71 a 84% , porém, o tromboembolismo isolado desses ramos não é usual, ocorrendo em 6 a 30% dos pacientes com TEP.

Atualmente, com o uso de novas técnicas, a visualização das artérias segmentares e subsegmentares vêm aumentado e melhorado ainda mais a concordância entre vários examinadores. (ALVES, et al.,2003).

Os achados característicos de TEP são: defeito de enchimento parcial central ou periférico circundado por um pequeno halo de contraste; completo defeito de enchimento com obliteração de todo o vaso avaliado.

TEP agudo em paciente do sexo feminino, 46 anos. TC espiral em múltiplos detectores revela falhas de enchimento parcial nas artérias de lobos médios e lobos inferiores (setas).

Reformatação coronal evidencia o trombo subsegmentar lobar inferior





TC espiral em multidetector com reconstruções multiplanares no TEP agudo. A reformatação sagital demonstra falha de enchimento parcial na artéria pulmonar interlobar direita com extensão para a artéria pulmonar do lobo inferior.





Reconstrução axial curva evidencia defeitos de enchimentos parciais no segmento arterial superior direito e na artéria lingular (setas). Também são identificados, pequena efusão pleural à direita e linfonodomegalia subcarinal.


PROTOCOLO DE EXAME DE TEP

 Planos de corte, axial, scout AP.
 Posição, paciente em decúbito dorsal (dd), feet first, membros superiores
estendidos acima da cabeça.
 Modo de exame, volumétrico.
Espessura, 2,5 x 1,25 mm do ápice pulmonar ás adrenais. Á critério medico
realizar cortes de 5 x 15 mm das adrenais poplíteas 3 minutos apos o inicio da
injeção de contraste.
 FOV, 35 cm (ajustar ao paciente).
 mA, 350 (auto mA)
 KV, 120.
 Tempo de rotação do tubo, 0.7 segundos
 Filtro, STND.
 Contraste, com contraste, com fluxo mínimo de 3 ml/s
 ROI, em um ramo da artéria pulmonar.


Observação: fazer aquisição em apnéia.

Documentação: fotografar em 3 filmes com o formato de 24 mediastino e fotografar

alternado janela pulmonar multiformatando o ápice. Iniciar com scout.

Janela mediastino: WW 300; WL 35.

Janela pulmonar: WW 1000; WL – 700.

Fonte: (Aparelho Brigth speed 4 canais GE).

APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS





Mostra um volumoso tromboêmbolo obliterando completamente uma artéria segmentar do lobo inferior direito. A técnica de renderização utilizada foi à projeção de intensidade máxima (MIP). Fonte: http://www.radiologiaclinica.com




TEP agudo em paciente do sexo masculino, 37 anos.Imagem de TC espiral revela opacidade pulmonar de feitio triangular e base pleural no segmento posterior do lobo superior direito, compatível com hemorragia pulmonar. Fonte: http://www.scielo.br/pdf/jbpneu





Embolia pulmonar aguda com derrame pleural (homem 54 anos). Tomografia computadorizada helicoidal. Corte obtido na região subcarinal, mostrando derrame pleural bilateral e êmbolo no ramo interlobar da artéria pulmonar esquerda. Fonte: http://www.jornaldepneumologia.com.br


ACHADOS NA TC EM RELAÇÃO A TROMBOSE VENOSA PROFUNDA







Trombo na veia femoral comum direita (seta)






Trombose venosa profunda. Falha de enchimento parcial na poplítea esquerda.(seta)



Falha de enchimento ao nível da fossa poplítea. Observa-se a bifurcação dos trombos para os vasos da panturrilha(seta).



CONSIDERAÇOES FINAIS

A importância cada vez maior da Tomografia Computadorizada, aliada à qualidade crescente dos equipamentos e à experiência dos profissionais que a realiza, torna sua utilização prioritária, modificando consideravelmente a abordagem do Tromboembolismo pulmonar.

A crescente utilização da TC helicoidal explica-se pelo fato dos demais métodos não invasivos utilizados (em especial cintigrafia V/Q) se mostrarem insuficientes para o diagnóstico de embolia pulmonar na maior parte dos pacientes, e também pelo fato da angiografia considerada padrão ouro para o diagnostico de TEP ser um método invasivo e caro.

De alta sensibilidade e especificidade, a técnica permite o rastreamento simultâneo de trombose no sistema venoso profundo dos membros inferiores e traz, como vantagem adicional sobre outros métodos, a possibilidade de diagnosticar condições que podem ser clinicamente confundidas com a embolia, como pneumonias e pneumotórax, além de boa visualização dos vasos pulmonares.

Contudo, confirma-se à importância da TC como um método eficiente de diagnostico de TEP.


REFERÊNCIAS

VIEIRA, Tatiane. A importância da tomografia computadorizada no
diagnóstico de tromboembolismo pulmonar (TEP)
. Trabalho de conclusão de Curso
(TCC) - Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU).
Bacharelado - Curso de Biomedicina.

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