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Tomografia Computadorizada de Alta Resolução no Diagnóstico de
Bronquiectasia |
Autora: Camila de Moraes Rego Coutinho1
A bronquiectasia em geral afeta de modo bilateral os lobos inferiores,
particularmente as passagens de ar verticais, sendo mais grave nos brônquios e
bronquíolos mais distais. Quando os tumores ou a aspiração de corpos estranhos levam
a bronquiectasia, o envolvimento pode ser agudamente localizado em um único
segmento do pulmão. As vias aéreas estão dilatadas, em alguns casos até quatro vezes
maior que o normal. Essas dilatações podem produzir longos alargamentos tipo tubos
(bronquiectasia cilíndrica) ou, em outros casos, causar uma distensão fusiforme ou
mesmo sacular (bronquiectasia sacular) (ROBBINS,2005).
A utilização da tomografia computadorizada de alta resolução é o método
diagnóstico mais escolhido nas suspeitas de bronquiectasia, por possibilitar a
reconstrução espacial da imagem, a realização de cortes finos (1 a 3mm) para
visualização das vias aéreas distais, bem como permitir a identificação e diferenciação
de outras patologias e a melhor visualização anatômica do interstício do parênquima
pulmonar.
Embora a radiografia simples de tórax seja, na maioria das vezes, o primeiro
método de imagem solicitado para avaliação de pacientes com suspeita de
bronquiectasia, este exame apresenta limitações para o diagnóstico da doença, mesmo
em estágios avançados. Ao contrário da radiografia simples de tórax, a tomografia
computadorizada de alta resolução (TCAR) apresenta alta sensibilidade para o
diagnóstico de bronquiectasia e representa um grande avanço em relação às outras
técnicas existentes2
As patologias que afetam exclusivamente o parênquima pulmonar e,
particularmente, o interstício, são melhores demonstradas no estudo pulmonar em alta
resolução , técnica conhecida pela sigla TCAR. A documentação deste exame deve ser
feita de forma a se colocar em evidência os detalhes do interstício e os da trama vasobrônquica
através de fotos ampliadas.
A primeira descrição dos achados tomográficos de bronquiectasia foi feita por
Naidich Etal, em 1982, e, desde então, tem sido mostrada a superioridade marcante da
TCAR sobre os outros métodos de imagem para o diagnóstico de bronquiectasia . O
protocolo mais simples e mais utilizado usa cortes com 1 a 1,5mm de colimação, com
incremento de 10mm, desde os ápices até as bases pulmonares, em inspiração,
utilizando filtro de alta resolução espacial para reconstrução das imagens. Podem ser
necessários cortes com incremento de 5mm para melhor avaliação de determinadas
regiões.
Quando ocorre bronquiectasia unilateral ou localizada (lobar), a anatomia
brônquica deve ser estudada cuidadosamente através de cortes de 3 a 5mm contíguos,
ou cortes no modo helicoidal com 3mm de colimação e pitch 1,5 e construção das
imagens com 3mm, para afastar a possibilidade de lesão brônquica obstrutiva,
particularmente carcinoma brônquico . Para melhor avaliação dos brônquios da língula
e do lobo médio, que apresentam curso oblíquo, obtém-se bom resultado com cortes
angulados, com angulação cranial (acima de 25 graus) do gantry, que permitem a
obtenção de imagens no longo eixo do brônquio, evitando assim diagnóstico falsopositivo
de bronquiectasia . Nos casos de dúvida, realizam-se cortes expiratórios emáreas representativas.
Quando a doença é difusa, tomam-se imagens expiratórias com a menor
colimação possível e com incremento variando de 20 a 30mm de incremento.
Quando a bronquiectasia é focal, realizam-se cortes expiratórios na região
acometida. O tempo para aquisição de imagem deve ser o menor possível –
preferencialmente abaixo de 1 segundo – para minimizar os artefatos de movimento
respiratório e outros involuntários, como os causados pelas pulsações, particularmente
as cardíacas. As imagens são obtidas em posição supina, mas algumas vezes existe a
necessidade de obtenção de imagens com o paciente em posição pronada para melhor
demonstração da doença3.
A tomografia de alta resolução combina o uso de cortes finamente colimados,
que possuem de 1 a 2 milímetros de espessura, com um algoritmo de alta Freqüência
espacial que aumenta a detecção das bordas e um tempo de aquisição rápido. Em vários
aparelhos, o algoritmo de alta resolução é de reconstrução óssea (HAAGA).
A seleção dos números da abertura e nível da janela para documentação da
TCAR tem efeito definitivo na aparente dimensão das estruturas. Dados da janela
incorretos podem afetar a avaliação da espessura das paredes dos brônquios. Não existe números definitivos que possam ser recomendados, devido à diferença entre os
equipamentos de TC e a preferência individual, mas geralmente o nível da janela deve
ficar entre –400 e –950H e a abertura entre 1.000 e 2.000H. Com nível de –750H e
abertura de 1.500H, geralmente pode-se obter bom resultado na pesquisa de
bronquiectasia e de doenças intersticiais que eventualmente possam estar associadas.

FONTE: http://www.jornaldepneumologia.com.br/PDF/1999_25_6_6_português.pdf
Figura 12- TCAR de indivíduo normal -homem, 26 anos. Os brônquios apresentam
calibre semelhante aos da artéria pulmonar companheira (seta)
REFERÊNCIAS
COUTINHO, C.M.R. Tomografia Computadorizada de Alta Resolução no
Diagnóstico de Bronquiectasia. Trabalho de conclusão de curso de Biomedicina-
Faculdades metropolitanas unidas- 2009.
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